Desde que me entendo por gente, minha mãe me conta histórias da época em que trabalhava de comissária na Varig, e são sempre histórias fantásticas, que me fazem sonhar e imaginar cada detalhe, como num livro. Uma dessas histórias se passava numa ‘cidadezinha aos pés do Mont Blanc, na divisa com a Itália’.

Eis que quando me dei por conta, estava dentro de um trem com um bilhete nas mãos que apontava o meu destino: Chamonix – Mont Blanc. Minha expectativa tava fora de controle, foram quatro horas de viagem sem conseguir pregar os olhos. Só mirava o horizonte tentando encontrar as montanhas, e via a paisagem se transformando… Os campos mudando de cor, o frio aumentando, e subindo, cada vez mais alto. Escrevi no meu diário de bordo tudo o que eu tava sentindo, pra não me esquecer dessa sensação jamais. Parei em Saint Gervais pra trocar o trem por um ônibus que finalmente me levaria até lá: Chamonix.

Ai ai... (suspiro)

 

Le Fayet

Mas era estranho, não via as montanhas ainda. Foi uma viagem de quarenta minutos, com paisagens de tirar o fôlego e curvas estonteantes (nada mal pra quem cresceu aos pés da Serra do Rio do Rastro), casinhas alpinas típicas de filme, madeira, madeira, madeira, chaminés com fumacinha e quando olhei pra cima, achei o que e tanto procurava: Lá estava, espiando por entre as nuvens de chuva e serração. Imponente, inabalável, iluminado pelos últimos raios de sol do final de uma tarde fria: Mont Blanc. Foi como se eu escutasse novamente toda aquela história que minha mãe contava – e ainda conta, agora com uma testemunha – com todos os detalhes. Me senti pequena, mas nunca com tanto fôlego antes na minha vida. Deu vontade de voar!

Achei!

Não tinham táxis, não tinha mapa, e a única coisa que eu sabia era que meu hostel se chamava Gite Le Vagabond e ficava perto de uma ponte. Pedi informação em francês, com muita dificuldade, em uma padaria charmosa (onde comprei umas guloseimas), e fui muito bem recebida e informada. E lá ia eu, feliz e contente, puxando uma mala de 30kg pelas ruas silenciosas de Chamonix… Até encontrar o Gite.

Gite Le Vagabond. Hostel 100% (e tem Amstel!!!)

Foi uma sensação tipo Harry Potter chegando em Hogsmead. Quando entrei (pelo bar, já que não tem portaria), senti aquele calor gostoso. Pessoas rindo, conversando, me cumprimentaram. Um cachorro enorme veio me receber com lambidas. Pensei: é aqui.

O hostel é o máximo. Além de ter um bar maravilhoso, com atendentes super queridas e ‘english speaker’, tem nada mais nada menos que o Mont Blanc como paisagem. Nota 10 pra esse hostel (apesar da cozinha ser nojentinha). Cama boa, calefação, chuveiro quente. Quartos limpos e perfumados. Recomendo muito!!!

Peguei minha bolsa, me agasalhei e saí pra caminhar pela cidade. Frio cortante, mas não nevava. Era primavera! Passei no mercado, comprei algo pra comer e beber e voltei pro hostel pra curtir aquele bar delícia.

Surpresa entre as nuvens!

Quando anoiteceu desci, já de banho tomado, pra tomar uma cerveja. Sentei sozinha, não conhecia ninguém. Logo puxaram papo comigo: primeiro a moça do bar, depois seus amigos chamoniards. E conversamos, rimos, bebemos e decidimos ir para outro bar, o Monkey, pertinho dali. Eu tava realizando um sonho! Era Chamonix sob meus pés, com pessoas fantásticas ao meu redor. E agora eu pergunto: Thom, onde está você?

O ruim de viajar sozinha é a saudade que dá quando se volta.

(…continua)

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Improvisando

02/10/2011

De tanto olhar soluções de decoração utilizando materiais inusitados em blogs e revistas sobre o assunto, fiquei com vontade de entrar para esse feliz grupo de pessoas que reaproveitam objetos para outros fins senão o original para o qual foi concebido. E foi passeando pela praia onde eu veraneio – balneário Rincão – que achei, no lixo de um supermercado, duas caixas de fruteira em ótimas condições. Joguei pra dentro do porta-malas e fui embora feliz.

Tive, como idéia inicial, utilizá-las como prateleiras no meu quarto, já que aqui na praia não tenho esse luxo. Mas foi na hora do aperto, com parentes chegando e minha mãe dando ataque de pelanca porque a casa não estava florida como deveria, que finalmente me veio à mente o destino promissor que as caixas teriam: Floreiras!

E foi assim, com a ajuda de um spray anti-cupim Jimo (R$16), uma lata de Osmocolor transparente com FPS (R$30), cantoneiras (R$5 cada), pincel, parafusos, buchas, furadeira e, claro, meu pai André, que transformei essas caixinhas em lindas e floridas floreiras. As mudas comprei em uma agropecuária e paguei R$20 por 30 unidades. Não sei o nome da flor, mas é algo tipo uma boca-de-leão. Sobrou muita tinta e muito Jimo, então guardei para usar em alguma outra aventura com madeiras.

Minha mãe ficou feliz, as visitas adoraram e agora o jardim está mais completinho. Ficou fofo quando os tomatinhos-cereja da minha mãe nasceram e enfeitaram esse cantinho de vermelho, junto com o colorido das minhas flores.

Charmosa e barata!

Realmente, dá para animar a casa gastando muito pouco.

Dias de Chuva

01/22/2011

O dia chuvoso de hoje me inspirou para escrever este post (Aproveitando que agora tenho internet na minha casa de praia, posso ter o privilégio de escrever e publicar em seguida!).

Quando estamos cansados, nada melhor do que um final de semana chuvoso para passar longas tardes embaixo do edredon curtindo o barulhinho da chuva, assistindo a um filme e comento aquela pipoca. Mas… E quem não está cansado, como fica? Se você é daquele tipo super ativo, que não agüenta ficar sentado no sofá esperando a chuva passar – como eu – aqui vão 6 dicas do que fazer para o tempo passar mais rápido!

1. Arrume Tudo. Isso mesmo. Não digo fazer faxina, porque faxina com chuva ninguém merece… Falo em colocar ordem no armário, nas gavetas, nas prateleiras, separando tudo o que você não for mais usar, tudo o que não serve (e continuará não servindo), e tudo o que estiver puído (principalmente calcinhas, cuecas, meias e camisetas). Aproveite também para dar aquela geral nos armários do banheiro, jogando fora produtos vencidos e embalagens vazias. A reportagem da revista Casa Cláudia de Dezembro, Ano Novo, Casa Nova, dá dicas preciosas de arrumação e purificação ambiental.

2. Faça um chá. Com a correria do dia-a-dia, as vezes esquecemos de tirar um tempo para meditar e descansar a mente. Acompanhe a água fervendo, escolha o chá que mais lhe agrada, observe a infusão, a água mudando de cor… Depois escolha um lugar calmo, e, em silêncio, deguste o chá. Chimarrão também serve… É um santo remédio, acalma e acalenta qualquer coração.

3. Chame os amigos para um café da tarde. Acho que isso funciona melhor com as mulheres ou com os gays, mas homens também podem. Prepare uma mesa com diversas delícias, inclua bolinhos de chuva para entrar no clima (minha mãe sempre fazia quando chovia na praia e eu e minha irmã ficávamos aterrorizando dentro de casa), compre ou asse bolos e sirva-os acompanhados de geléias, doce de leite, mel, melado e nata. Ofereça bebidas quentes e frias. Espere para passar o café quando as pessoas estiverem chegando, para que o aroma traga sensação de aconchego para os convidados. Além de aproveitar para colocar o papo em dia, o anfitrião receberá muitos elogios pelo carinho e pelo charme e sabor do café oferecido. Portanto, capriche e aprecie todo o sabor dos quitutes sem remorso por sabotar a dieta. Amanhã você malha!

4. Jogue. Vale tudo: Baralho, dominó, Jogo da Vida, Perfil, Imagem & Ação, Banco Imobiliário, bocha em cancha coberta. O importante é juntar os amigos e dar muita risada.

5. Volte à infância. Se estiver calor, coloque uma roupa velha, pegue a bicicleta e faça o que você não faz desde os 12 anos (eu fiz ano passado): Passe na casa dos amigos e vá juntando aquela gangue de bicicletas, espalhando o terror na chuva, passando a mil pelas poças de água sem se importar em estragar o cabelo, o tênis ou a dignidade. Só se importe em rir e ser feliz.

6. Atualize seu blog. Enquanto eu escrevia, vejam só… A chuva passou!

Casas Pequenas

01/11/2011

Ao ler a reportagem da revista Casa Cláudia de Dezembro, referente ao assunto, percebi que me identifico muito com espaços reduzidos. Desde pequena – talvez como toda criança – gostava de brincar embaixo de escadas, mesas, dentro de caixas de papelão (uma vez ganhei um castelo de papelão feito por minha irmã Ana Reczek e seu colega Vinícius Grings. Uma das melhores lembranças da minha infância). É a sensação de abrigo, aconchego, que me encanta.

Os espaços pequenos são vistos, aos meus olhos, como desafios. É muito fácil distribuir móveis em uma sala grande, por exemplo, pois ela poderá funcionar de muitas formas. Em uma sala com medidas reduzidas, talvez exista um único modo em que ela funcionará perfeitamente, e é aí que está o desafio: encontrar essa solução.

É também um desafio para os designers criar móveis que se adaptem ao estilo de vida dos que preferem a praticidade de um pequeno apartamento, loft ou mesmo uma simpática casinha. Esses móveis multifuncionais, como os que aparecem no vídeo famoso no YouTube, me lembraram uma cama de brinquedo – acho que da Barbie – que eu tinha quando pequena, daquelas que giram para a posição vertical e embutem na parede.

E o meu encantamento por essas soluções brilhantes não pára por aí. Passei muitos anos da minha vida viajando de motorhome com a família de uma grande amiga, hoje advogada Priscila Cardoso Borges. Os armarinhos, geladeirinhas, banheirinhos e outros “inhos” projetados exclusivamente para estas fantásticas casas móveis me deixam morrendo de vontade participar desse processo de criação.

Além de charmosos, os ambientes pequenos são facilmente decorados, iluminados e limpos. Para uma vida prática como a que desejamos ter nos tempos de hoje, acho essencial pensarmos na simplicidade e no realmente necessário, permitindo assim que a relação com os nossos espaços seja muito mais profunda e intensa.