É muito comum pessoas que moram em casa baixa aproveitar os fundos do terreno para construir uma edícula. Motivo? Aproveitar os fundo do terreno? Uma casa, por maior que seja, nunca é suficiente. Tem que ter um lugar para guardar as ferramentas, receber as visitas, servir de atelier, e outras inúmeras funções que, se feitas dentro da casa principal, viram bagunça.

Acontece que, muitas vezes o morador não faz um levantamento das suas necessidades reais, e a edícula acaba se tornando aquela coisa fria, empoeirada e úmida. 

A intenção desse post é auxiliar quem está construindo ou reformando a montar seu programa de necessidades e a partir dele, construir uma planta que supra essas necessidades.

Vejam a seguir três programas diferentes. Para cada um, elaborei uma planta como sugestão:

  • Visitas + Depósito

        Para famílias que recebem visitas com certa frequência e não possuem estrutura suficiente na casa principal, a edícula servirá para alojar os hóspedes. Deve ser limpa, seca (impermeabilizada contra qualquer umidade) e confortável. Dois quartos e um banheiro são suficientes, e devem ter espaço para anexar mais uma cama de solteiro, se necessário. Caso algum dos hóspedes tenha limitação física, deve-se estar atento às normas de acessibilidade (rampas, espaços mínimos de circulação, barras no banheiro). Uma sala fechada onde os hóspedes possam ficar a vontade antes de ir dormir também é interessante, e irá oferecer maior privacidade e conforto. Como também há a necessidade de um local para armazenar ferramentas, sobras de azulejos e etc., uma pequena faixa em uma das laterais (1,20m de largura é suficiente) com acesso externo é uma solução prática. Segue abaixo uma idéia de planta baixa para este programa de necessidades:

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  • Apoio piscina + Depósito + Churrasqueira

Casas com piscina necessitam de uma área de lazer coberta, permitindo um maior conforto para os dias de festa. Churrasqueira, cozinha completa e banheiro se fazem necessários, além de uma ducha externa. Os ambientes de convivência devem ser integrados, mas ao mesmo tempo segmentados por móveis baixos, permitindo o contato visual mas delimitando a área de preparo de alimentos. Dessa forma, os convidados podem se divertir sem atrapalhar o andamento da refeição! O depósito com acesso externo facilita o fluxo, e se for bem pensado, ainda sobra espaço para uma área de serviço, como no exemplo que criei!

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  • Atelier + Depósito + Visitas

Esse modelo é para aquelas famílias que além de hospitaleiras, possuem um artista em casa. Nada mais desconfortável do que ter de improvisar um canto para pôr a criatividade em prática. Artistas em potencial merecem um atelier com tudo que têm direito, um espaço ondem possam se fechar, esquecer do mundo e deixar a criatividade fluir. Além de uma área generosa, um lavabo também é essencial. Já para os hóspedes, como não sobraria área suficiente para uma sala com copa, o quarto deve suprir essas necessidades. Banheiro, um micro-ondas e um frigobar com uma bancada de apoio, televisão, armário e criados mudos são suficientes para receber com grande conforto. O depósito, como mostrado na sugestão abaixo, toma uma forma linear, permitindo a instalação de armários em toda sua extensão.

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Bom, espero que essas sugestões sejam úteis! Para maiores dúvidas, podem entrar em contato através dos comentários! 

Retomando!

03/23/2012

Oi gente!

Depois de um longo tempo sem escrever por aqui, estou de volta.

Andei acompanhando minhas stats, e as pessoas chegam aqui quase que 100% a procura de edículas, áreas para churrasco, decks, área de piscina e espaços de convivência em geral.

Por isso, vou mudar o foco do blog. A partir de hoje o edícula vai mostrar nada mais nada menos do que elas, as minhas estrelinhas do blog: As edículas (e todo o universo que as envolve).

Espero que seja útil!

Desde que me entendo por gente, minha mãe me conta histórias da época em que trabalhava de comissária na Varig, e são sempre histórias fantásticas, que me fazem sonhar e imaginar cada detalhe, como num livro. Uma dessas histórias se passava numa ‘cidadezinha aos pés do Mont Blanc, na divisa com a Itália’.

Eis que quando me dei por conta, estava dentro de um trem com um bilhete nas mãos que apontava o meu destino: Chamonix – Mont Blanc. Minha expectativa tava fora de controle, foram quatro horas de viagem sem conseguir pregar os olhos. Só mirava o horizonte tentando encontrar as montanhas, e via a paisagem se transformando… Os campos mudando de cor, o frio aumentando, e subindo, cada vez mais alto. Escrevi no meu diário de bordo tudo o que eu tava sentindo, pra não me esquecer dessa sensação jamais. Parei em Saint Gervais pra trocar o trem por um ônibus que finalmente me levaria até lá: Chamonix.

Ai ai... (suspiro)

 

Le Fayet

Mas era estranho, não via as montanhas ainda. Foi uma viagem de quarenta minutos, com paisagens de tirar o fôlego e curvas estonteantes (nada mal pra quem cresceu aos pés da Serra do Rio do Rastro), casinhas alpinas típicas de filme, madeira, madeira, madeira, chaminés com fumacinha e quando olhei pra cima, achei o que e tanto procurava: Lá estava, espiando por entre as nuvens de chuva e serração. Imponente, inabalável, iluminado pelos últimos raios de sol do final de uma tarde fria: Mont Blanc. Foi como se eu escutasse novamente toda aquela história que minha mãe contava – e ainda conta, agora com uma testemunha – com todos os detalhes. Me senti pequena, mas nunca com tanto fôlego antes na minha vida. Deu vontade de voar!

Achei!

Não tinham táxis, não tinha mapa, e a única coisa que eu sabia era que meu hostel se chamava Gite Le Vagabond e ficava perto de uma ponte. Pedi informação em francês, com muita dificuldade, em uma padaria charmosa (onde comprei umas guloseimas), e fui muito bem recebida e informada. E lá ia eu, feliz e contente, puxando uma mala de 30kg pelas ruas silenciosas de Chamonix… Até encontrar o Gite.

Gite Le Vagabond. Hostel 100% (e tem Amstel!!!)

Foi uma sensação tipo Harry Potter chegando em Hogsmead. Quando entrei (pelo bar, já que não tem portaria), senti aquele calor gostoso. Pessoas rindo, conversando, me cumprimentaram. Um cachorro enorme veio me receber com lambidas. Pensei: é aqui.

O hostel é o máximo. Além de ter um bar maravilhoso, com atendentes super queridas e ‘english speaker’, tem nada mais nada menos que o Mont Blanc como paisagem. Nota 10 pra esse hostel (apesar da cozinha ser nojentinha). Cama boa, calefação, chuveiro quente. Quartos limpos e perfumados. Recomendo muito!!!

Peguei minha bolsa, me agasalhei e saí pra caminhar pela cidade. Frio cortante, mas não nevava. Era primavera! Passei no mercado, comprei algo pra comer e beber e voltei pro hostel pra curtir aquele bar delícia.

Surpresa entre as nuvens!

Quando anoiteceu desci, já de banho tomado, pra tomar uma cerveja. Sentei sozinha, não conhecia ninguém. Logo puxaram papo comigo: primeiro a moça do bar, depois seus amigos chamoniards. E conversamos, rimos, bebemos e decidimos ir para outro bar, o Monkey, pertinho dali. Eu tava realizando um sonho! Era Chamonix sob meus pés, com pessoas fantásticas ao meu redor. E agora eu pergunto: Thom, onde está você?

O ruim de viajar sozinha é a saudade que dá quando se volta.

(…continua)

Nas Oropa

07/12/2011

Passei o mês de Maio (2011) viajando pela França e redondezas. Voltei revigorada, feliz, animada e cheia de idéias. A maior delas? Voltar pra lá.

Existem algumas coisas nesse mundo que eu não entendo nem quero entender, mas creio que o que mais me perturba é tentar imaginar como fica a cabeça de uma pessoa que não viaja. Eu poderia estender o significado da palavra ‘viajar’ para suas demais conotações, mas vamos ficar só no seu significado puro. Conhecer lugares, culturas, histórias… respirar novos ares. Talvez isso seja a melhor receita de aprendizado sobre a vida e o mundo.

Mas vamos lá… falar sobre o que interessa. Ganhei a viagem de presente de formatura, e escolhi a França porque é um clássico. Ainda mais para uma arquiteta.  Meu roteiro foi escolhido aleatoriamente, nada programado. Eu tinha mais ou menos em mente o que eu pretendia fazer e alguns lugares que gostaria de conhecer, mas fui decidindo minhas paradas ao decorrer da viagem.

Comecei por Strasbourg, fronteira com Alemanha (no leste da França, região da Alsácia). Peguei um TGV partindo de Paris e a viagem foi linda e tranquila, apesar de toda tristeza e sofrimento que eu tava sentindo pela perda de um amigo querido, Daniel Boeira, em um acidente de carro um dia antes da minha partida.

PARTE 1: STRASBOURG

Vale a pena viajar durante o dia pra ir olhando as paisagens e sentindo toda a poesia que emana daqueles campos, plantações e vilas. Lindo de morrer. E mais lindo ainda foi chegar de noite na Gare Est de Strasbourg, projeto da über arquiteta Zaha Haddid. Pra deixar qualquer vivente de boca aberta. Peguei um táxi e cinco minutos depois tava no meu hostel.

Obra da Zaha!

A cidade é tudo de bom. Tem cara de Europa, sabe? Prédios antigos, telhados de ardósia, ruelas medievais e um rio banhando a cidade. Aquele cheiro de primavera no ar.

Mas o que me reduziu a pó foi a catedral. Fiquei chocada, cho-ca-da. Tava tão na pilha que nem me informei direito do que tinha pra conhecer em cada lugar, e quando dei de cara com aquela coisa inexplicavelmente linda e grande, quase caí pra trás. Faz a Notre Dame de Paris parecer igrejinha de bairro. Ainda tive a sorte de estar lá na hora exata da missa da manhã de Domingo, em homenagem ao Papa João Paulo II. Fiquei e foi um espetáculo, com direito a música sacra cantada pelo padre.

Notre Dame de Strasbourg. A quarta igreja mais alta do mundo!

Depois da missa saí pra caminhar e conhecer a cidade, andei pelas ruas, babei nas construções de enxaimel e fiz o passeio de barco pra ver e sentir aquela delícia de lugar. Me deliciei com o contraste do velho com o novo, da tecnologia com a tradição. Strasbourg é limpa, florida, cheirosa. As pessoas são educadas, e o sistema de transporte público urbano é um luxo. Pra onde se olha tem uma ciclovia LINDA, que além de sombreada pela arborização é respeitada pelos pedestres. Cada um fazendo sua parte e a cidade funciona que é uma beleza! (vai pra lá e tire a prova de que isso não é papinho de urbanista)

Enxaimel e o rio. Paisagem clássica!!!

ciclovia Deusa!

Funciona tão bem que aluguei uma bicicleta na Gare D’Est e fui pedalando com toda a segurança até Kehl, na Alemanha, cidade vizinha. Foi uma delícia! Recomendo muito. Aproveitem e façam compras lindas por lá, como eu fiz.

Dá pra conhecer Strasbourg inteira a pé, ou com a ajuda de uma bicicleta. O aluguel é barato e elas tem cestinhas, o que facilita muito o transporte de bolsas e sacolas.

Gare de Strasbourg.

Praças floridas e lindas...

Sobre hospedagem, peguei um apart hotel bem ótimo, o nome é Cap Europe. Tem tudo perto e o preço é ótimo. Meu quarto tinha cama de casal, banheiro com chuveiro e uma mini-cozinha com fogão, pia, frigobar e louças. Um luxo pra quem passou o resto da viagem em hostels.

Eu poderia passar a vida falando só daqui, mas o post vai ficar muito comprido.

Em seguida, peguei um trem de volta para Paris com destino a Chamonix, meu objetivo principal. Leiam no próximo post.

: )

Com a chegada do Outono, dos ventos geladinhos e dessa vontade de ficar na toca, nada melhor que um fogão a lenha ou uma lareira pra aquecer a vida.

Para mim não existe nada mais acolhedor que o cheiro da madeira queimando. Acho que me remete à memória do meu avô, ouvindo radinho e tomando um mate encostado no fogão, no quartinho de ferramentas, lá em Novo Hamburgo.

Então, pra celebrar esta estação maravilhosa, garimpei no meu banco de imagens alguns ambientes super aconchegantes para vocês.

(Como sempre, não lembro a fonte da maioria delas. Caso souberem, me avisem. Juro que tomei juízo e agora estou anotando a procedência de todas as fotos que eu roubo na internet).

 

Combinação de pedra com madeira dá super certo...

Aqui, um trecho de uma matéria da revista A&C. Um refúgio deeelicioso!

E esse quarto? Um sonho...

Sala com lareira central...

E um jantar romântico neste ambiente, que tal?

falando em sonho...

 

Assim é o fogão típico das regiões serranas do RS e SC. Faltou aquele pelego na cadeira e o mate...

Quer melhor acompanhamento pra um fogão a lenha que um café bem gostoso?

Pra finalizar, o charmoso fogão do Castelinho Caracol, em Canela-RS. Quem não conhece ainda, corre lá! É lindo demais.

Esse post tá me dando uma vontade se comer uma paçoca de pinhão com pão doce e chocolate quente… HUMMMM!

Mãe, olha eu!

02/18/2011

Certo dia de Janeiro, vi uma promoção na comunidade Casa Pro, da qual faço parte, que sortearia os cinco melhores comentários sobre a edição de Janeiro que seriam publicados na edição de Fevereiro. Me empolguei, comentei e ganhei. Olha a foto!

:D

Pensei que eu também ganharia um exemplar do Especial Casa Cor 2011, mas pelo jeito entendi errado. mas foi legal igual!

Edícula

02/14/2011

A temporada chegou praticamente ao fim, e agora é hora do quê? Reformar a casa da praia para o próximo veraneio!

Inspirada pelo nome do blog, pensei: vou dar dicas sobre edículas. Esses cantinhos, normalmente tão feios e esquecidos, podem ser fantásticos refúgios: basta identificar a vocação da sua edícula e mãos à obra!

Meus pais costumam utilizar bastante a casa de praia, tanto no inverno quanto no verão. No inverno, a fachada principal fica inutilizável, pois recebe o vento sul – congelante – que impede qualquer relação com o exterior.

Pensando nisso, ano passado decidimos reformar a edícula: transformamos o que antes era uma garagem em uma sala, colocamos portas de vidro, trouxemos um fogãozinho à lenha antigo que era do meu avô, algumas mobílias do apartamento velho e aos poucos uma nova casa está tomando forma. Como minha mãe é artista plástica, a mesa de churrasco continua lá e funciona como bancada de trabalho. Essas pequenas mudanças já estão sendo muito significativas, e em dias de frio e chuva é a edícula o lugar escolhido para ver televisão e inventar algum artesanato novo. Como tudo aqui em casa é na base do improviso, até concluirmos a obra inteira, com decoração e tudo mais, vai levar mais algum tempo. Mas nada com ter uma arquiteta para opinar e fazer o trabalho andar, de uma vez por todas, né?

Bom, assim como a minha, a sua família também deve ter alguma necessidade espacial que possa ser adaptada à edícula. Abaixo vou mostrar algumas fotos interessantes e comentar o melhor de cada uma:

Bem iluminada para comilanças em família!

Acima uma sugestão legal para separar a área de churrasqueira: Com materiais rústicos (madeira, tijolo, pedra) e iluminação natural (telhas de, provavelmente, policarbonato), foi bolado este espaço super confortável, com direito a jardim de ervas, forno de pizza, churrasqueira e tudo mais que se precisa para reunir a família e os amigos em torno de quitutes deliciosos. Quem não queria uma edícula assim?

 

Sombra e água fresca

Este espaço projetado pela arquiteta Fernanda Queiroz serve de apoio à piscina e, com certeza,  deve abrigar festas homéricas. Com televisão, churrasqueira e forno de pizza (também quero), deve ser um verdadeiro oásis nos dias quentes de verão. E o melhor é que, apesar de toda sua funcionalidade, pode ser executado com materiais simples e baratos.

 

 

Charme mineiro...

O rústico é chique né? Eu adoro. Com madeiras de demolição, muitos objetos de artesanato típicos de Minas, luminárias que devem ficar lindas à noite e um fogão à lenha pra lá de charmoso, esta edícula ficou uma delícia! Árvores trepadeiras plantadas próximas aos pilares também ajudam a embelezar ainda mais sua edícula. A luz natural também foi bem aproveitada aqui, através das aberturas laterais.

 

 

Biblioteca na edícula, porque não?

Que tal um cantinho silencioso e organizado para colocar a leitura em dia? Nem só de churrasco sobrevivem as edículas, pessoal! Junte portas de vidro + boa iluminação + poltronas confortáveis e tenha a biblioteca que você sempre quis. Em dias de chuva então, é o lugar perfeito para ler e emendar aquela soneca.

 

 

Visitas na edícula! Almofadas feitas pela minha mãe, e criado azul restaurada por mim :)

Aqui em casa, além de tudo o que eu citei nas primeiras linhas desse post, nossa edícula também funciona como área de serviço, depósito e espaço para receber visitas (tem 2 quartos e 1 banheiro). Esse quarto, assim como todas as paredes que fazem divisa com as casas vizinhas, receberam azulejos imitando tijolinho (escolha do meu pai) para controlar a umidade e as manchas horríveis que ela provocava na pintura.  Decoração enjambrada mas apresentável!

 

Com um pouco de dinheiro e dedicação, você também pode dar um uso melhor para sua edícula do que aquele que elas sempre acabam tendo: Depósito de tralhas com uma mesa de churrasco.  Boa sorte!

P.S.: Não coloquei o nome dos arquitetos porque não lembro de onde peguei as fotos, estavam no meu arquivo de imagens referenciais. Quem souber, favor me informar. Obrigada.